Crise Económica, Catástrofe Alimentar & Malthus


Imagem: Pimentus-Ardidus Blogspot

Foi exactamente á um mês atrás que acordei com um dos piores circulares de todos. No e-mail entitulado “Homem mata familha e suicida-se por causa da crise financeira”, a missiva cibernética retrata a história de Ervin Lupoe que, após perder o emprego (juntamente com a mulher), decidiu 2 semanas depois, no meio de tanto drama, pôr um fim na vida da sua familha (formada por sua esposa e 5 filhos – entre eles dois conjuntos de gêmeos e todos abaixo dos 10 anos). Após a eventualidade, E. Lupoe suicidou-se, deixando para trás uma carta explicando todas suas motivações. Triste. Mas a cotação de corpos continuou a aumentar e acabei por descobrir que o e-mail era só uma pecinha perdida num cheque-mate financeiro.

De 2008-2009, a onda de suicídios, homicídios e roubos bancários reconheceu um aumento drástico em resposta ás falências, hipotecas imobiliárias, despedimentos e credit crunches (redução de empréstimos bancários) – tudo resultado do descalabro económico iniciado em 2007.

Nos E.U.A. as tragédias divulgadas pela WISN-TV (filial da ABC TV) são antigas (pelo menos dois anos mais velha que o meu post) e vão desde suicidios por desemprego, ausência subsidiária ou hipoteca imobiliar á homocídios ou roubos bancários de formas para solver dívidas ou manutenção de renda.

Nos 3 meses seguintes desde a onda mortifera espalhada de California á Massachusetts e de Minnesota á Florida; a angústia migrou.

Pelos vistos os suicidios-motivados-pela-crise-financeira também chegou a atingir gente de high-profile nalguns países desenvolvidos. Quer lá na Inglaterra, Alemanha ou mesmo de volta aos E.U.A. em Berverlly Hills. Millionários, magnatas, correctores ou investidores financeiros também viram na morte uma solução pr’ás somadas  perdas financeiras (de milhões á bilhões) – mas, logicamente, com maior cobertura televisiva do acontecimento. [Vejá mais do mesmo no AlterNet]

Por outro lado, no ano passado, a previsão estatística feita pela ONU (mais especificamente Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO) concluiu que a crise economica faria no mundo mais de 1 Bilhão de desnutridos. Segundo a fonte, dos subnutridos, cerca de 642 Milhões residem na Ásia/Pacífico, 265 Milhões na África Subsaariana e 53 Milhões na America Latina e no Caribe. Em total, os números que sofreram uma recaída devido uma melhor distribuição alimentícia voltou a cair devido áo agravamento da crise econômica e financeira no ano em causa.

Indubitavelmente, olhando para os dados previstos em 2009, ser-nos-ia fácil supor que estamos próximos á uma catástrofe alimentar.

“Morte como solução”. “Catástrofe Alimentar”. De quem nos lembra frases tão frias, assustadoras, controversas e suicidas destas? Pelo menos para nós economistas, lembra: Thomas Malthus!

A teoria malthusiana é das mais contestadas e criticadas quer por economistas, demógrafos, históriadores e até estatísticos – caso comprovado por profissionais nos mais destintos ramos que de alguma forma demonstraram-me repugnância acerca da teoria – que á associam á algum demônio teórico pessimista simétrico  ao Maquiavélico. O que nos coloca a questão: quem foi Thomas Malthus?

O Reverendo, Thomas Robert Malthus (1766-1834), foi um (e é) uma influente personalidade no campo da política económica e demografia. Embora tenha popularizado a teoria economia da renda, seu clássico teórico foi referente á população no “Essay on the Principle of Population” (Ensaios nos Princípios/Teoria da População).

Segundo Malthus, o crescimento populacional (progressão geométrica) excede o alimentício (progressão aritmética) e esse excesso em demanda agregada conduziria, dada a excassez de alimentos, á subnutrição. Segundo a teoria é transmitida, para Malthus a fome em si, acrescida á guerras, epidemias e demais catástrofes são de facto a única solução para os problemas de crescimento demográfico. Ou seja, o extremo do problema é de facto a sua solução. Dada a limitação de recursos, nasce em Malthus a necessidade de limitar tal crescimento; e tal é feito atravês dos exemplos citados (que á nível histórico verificam-se). E é onde a teoria Malthusiana defende a contribuição do Estado com seu ingrediente de guerras etc. que a teoria sofre as críticas devido ao seu carácter, no mínimo, desumano.

Após uma pequena viagem no mundo ‘sombrio’ de Malthus podemos ligar os dois factos acima (‘Onda de Mortes Pós-Crise Mundial’ e ‘Catástrofe Alimentar’) e concluir que ao seu ver, ambos serão as ‘soluções’ para a crise mundial ou escassez de recursos. E é exactamente aqui que pretendia chegar.

De dizer que concordo com Malthus sobre a importância dos descalabros económicos, populacionais e alimentares mas não vejo nos desastres uma solução ao crescimento populacional – vejo uma consequência. Consequência de quê?

Da má gestão á nível de recursos.

Exacto. Uma gestão justa e eficaz de recursos – quer financeiros como alimentares – justificariam a não necessidade de aplicação da ‘solução de Malthus’. Ou seja, a onda suicida, criminalidade ou subnutrição são consequências inevitáveis do mau funcionamento da função distribuidora do orgão competente á mesma.

Vejamos; Malthus refere-se á um crescimento que excede a existência de recursos, já  o Ikunumista defende existir recursos (no primeiro caso: há dinheiro, só que o mesmo, atravês de uma mã aplicação financeira e resultado negativo de mercado sofrera uma mã alocação que agora grita por um ‘reset’ estatal; no segundo caso: há alimentos – no ano citado houve de facto um quase recorde na colheita de cereais – só há alguma dificuldade na sua distribuição) mas uma péssima distribuição dos mesmos que conduz aos resultados verificados.

Em suma, o que o Ikunumista fez foi reconhecer o crescimento acelerado da população (que força países como a China a aplicar políticas á taxa de natalidade), porém, hoje n’um mundo diferente do de Malthus (na qual a produtividade média por recurso era um tanto quanto obsoleta), o problema não é como atacar o crescimento populacional… em parte. Preocupemos-nos em como distribuir riquezas alimentares que são de facto a razão principal de qualquer consumo. Se essas necessidades não forem satisfeitas aí nos vamos deparar com o que chamamos de consequências (e não soluções, para Malthus). Repita-se, se as leis de alocação justa de recursos não se satisfazerem, num mundo liberal, socialista ou mesmo intervencionista no vamos, infalivelmente, deparar com as “consequências” malthusianas (ou ikunumista).

[Seguindo a lógica de pensamento deste tema, o mundo poderia seguir um crescimento sustentável por algum tempo, sendo que de facto os recursos são limitados – o que nos levaria por final á ‘solução de Malthus’ mas daí é outro tema]

8 pensamentos sobre “Crise Económica, Catástrofe Alimentar & Malthus

  1. Com que então andas a postar sobre economia huh? Olha primeiro tenho de admitir que tens jeito pra escrita mesmo. Segundo eu concordo que o problema está na cabeça dos aplcadores das políticas e talvez também dos fazedores. Sinto que se o mundo tornar-se mais humanos não haveria meta inalcançável. Conheço pouco de Malthus mas o que fizeste com a teoria dele para vir a propor uma nova foi inteligente e interessante. A partir daqui só vou acompanhar amigo. Mas não esqueça de continuar activo no http://www.movimentofantasma.4umer.com hein.

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  2. Muito obrigado pelo comentário Luciano. Pelo que vejo a sua resposta vai de encontro á que me foi dada: mentalidade/maturidade. Onde eu defendi uma justa alocação de recursos a frente que defende a mentalidade humana ligada á empatia parece ter maior espaço e peso. Concordo com sua idéia e nela não posso fazer verificação alguma. É exactamente essa sua teoria que está na causa da minha dúvida quanto o atingir das metas estabelecidas para o mundo até 2015. É romântica demais para o mundo no qual vivemos hoje.
    Para ser atingida requer uma profunda mudança mental por parte dos líderes em si; caso contrário é só mais uma política com objectivos aceleradores…

    Abraço, Délcio.

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  3. Caro ikunumista Délcio,

    Não sou economista, mas suponho que tenhamos, hoje, condições de produzir e distribuir melhor os alimentos. E de criar um sistema financeiro mais justo. Mas, para isso, é necessário, em primeiríssimo lugar, intenção de fazê-lo. Infelizmente a humanidade ainda luta pelo poder e seus comandantes estão mais preocupados com sua ascenção do que com o próximo. Uma economia mais justa seria natural num mundo mais justo habitado por pessoas mais maduras. Temos um caminho a percorrer até chegar neste ponto. Na época atual, aposto que a fome diminuiria muito se ela atingisse as familias dos poderosos.

    É lamentável que nosso sistema econômico e político leve a suicídios. Criamos uma sociedade desumana. Ou melhor, quem manda fez isso. Eu nunca fabricaria armas, faria da saúde, alimentação e educação negócios e nem roubaria. Mas, esse sou eu.

    Fiquei feliz com sua visita ao meu blog. Vou ler mais alguns textos seus.

    Um abraço.
    Luciano
    http://TRINK.wordpress.com

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  4. Pois, Yoyo. Mas suponho que se pensarmos indefinidamente como Malthus; talvez o crescimento em si fosse por um periodo de tempo limitado. Depois disso, as políticas de Estado como ‘incitação á guerra’, crises, incapacitação do sistema de saúde seriam a resposta para tanta gente e pouca comida.

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