Como salvar os EUA do Desemprego? (O debate dos Economistas) [Web+]

 

A reação de Washington à persistência do alto índice de desemprego dos Estados Unidos dependerá, em parte, de quem vencer um debate cada vez mais acalorado sobre as causas do problema.
Um lado afirma que mais gastos governamentais para estimular a economia podem reduzir o desemprego. O outro alega que não.
Os desconfiados do estímulo governamental dizem que o desemprego está alto por causa de problemas estruturais, como as pessoas que não podem se mudar em busca de trabalho porque estão presas a hipotecas sufocantes, ou as empresas que não conseguem encontrar trabalhadores com as habilidades necessárias para suprir as vagas. Os defensores dessa hipótese dizem que a política do governo de Barack Obama de apostar em estímulo fiscal e nos juros baixos do Federal Reserve, o banco central americano, não fizeram efeito. Eles estão menos dispostos a apoiar a concessão de mais estímulo fiscal para compensar a recuperação decepcionante.
“As empresas têm vagas, mas não conseguem achar trabalhadores apropriados. As pessoas querem trabalho, mas não encontram empregos apropriados”, disse num discurso recente Narayana Kocherlakota, presidente do Fed regional de Minneapolis. “Qualquer que seja a causa, é difícil enxergar algo que o Fed possa fazer para sanar esse problema.”
A maioria das pessoas como Kocherlakota, que acreditam que fatores estruturais são responsáveis pelo alto desemprego, está menos disposta a apostar em programas do governo para solucionar o problema. Uma ideia que Kocherlakota tem defendido seria criar um programa de seguro-desemprego em que os benefícios não terminam após um determinado número de semanas, como é agora, de modo a ajudar as pessoas a sobreviver o intervalo entre um emprego e outro. Os pagamentos seriam pequenos, para que não houvesse um incentivo a ficar fora do mercado de trabalho mais que o necessário.
Os que defendem mais medidas governamentais dizem que o problema é mais simples: apenas não há consumo e investimento suficientes na economia para convencer as empresas a contratar. Se houver mais demanda, argumentam as pessoas desse lado do debate, o desemprego vai cair. A maioria das autoridades do governo Obama concorda com esse ponto de vista.
“O [pib] real está crescendo, mas não rápido o suficiente para criar as centenas de milhares de empregos por mês necessários para voltar aos níveis de emprego de antes da crise”, disse num discurso Christina Romer, que até sexta-feira presidia o Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca e vai agora passar a integrar outro grupo de aconselhamento econômico de Obama. “A demanda deficitária, em vez das mudanças estruturais na composição de nossa produção ou um desequilíbrio entre as vagas e as habilidades dos trabalhadores, é que é a principal causa da persistência do alto desemprego. As empresas não estão produzindo ou contratando em níveis normais simplesmente porque não há demanda para um nível normalizado de produção.”
Cada lado cita dados econômicos que comprovam seu ponto de vista, embora a verdade provavelmente esteja em algum lugar no meio.
Kocherlakota tem acompanhado o estranho relacionamento entre o desemprego e a velocidade com que as empresas preenchem suas vagas. Em temos normais, quando o desemprego aumenta, as empresas conseguem preencher as vagas rapidamente porque há mais gente para se escolher.
Mas nos últimos 18 meses, isso não aconteceu. Em vez disso, o número de vagas de trabalho aumentou ao mesmo tempo em que o desemprego subia e se mantinha num nível elevado. O índice de criação de vagas, ou seja, uma medida do número de empregos disponíveis em relação ao total de vagas na economia — ocupadas ou vazias — subiu de 1,8% um ano atrás para 2,2%, em vez de cair ainda mais, como era esperado. Isso indica que há uma ruptura no processo de contratação.
Há teorias diferentes para o que está acontecendo e se mais estímulo fiscal ou monetário seria inútil. Uma das teorias é que os setores responsáveis por criar muitas vagas novas durante o ciclo de expansão da última década — construção e finanças — agora estão em baixa. Os trabalhadores não podem trocar esses setores tão facilmente por outros em que há vagas, como o manufatureiro ou de saúde, porque não têm o conhecimento adequado.
Outra teoria é que talvez as pessoas não estejam se mudando para onde há vagas porque algumas ainda estão presas a casas que não conseguem vender sem assumir prejuízos consideráveis, ou porque o cônjuge não consegue encontrar emprego em outro lugar. A falta de mobilidade contribuiu para a enorme disparidade entre os índices de desemprego dos Estados. Na Dakota do Norte, o desemprego é 3,6%. Em Nevada, é mais de 10 pontos porcentuais maior. Antes da recessão, em comparação, a diferença entre o índice de desemprego dos Estados em que ele era maior e menor era de apenas 4,4 pontos porcentuais.
Sem esses impedimentos estruturais, o índice de desemprego dos EUA deveria ser atualmente de 6,5%, calcula Kocherlakota.
Jan Hatzius, economista-chefe do Goldman Sachs, discorda. “A alta do desemprego estrutural ainda me parece relativamente moderada.” O Goldman calcula que os problemas estruturais respondem por no máximo três quartos de um ponto procentual do índice de desemprego.
O verdadeiro problema, argumentam Hatzius, Romer e outros economistas com o mesmo ponto de vista, é a ausência geral de gastos na economia — de consumo e de investimento empresarial e governamental — que está causando a falta de empregos.
Mesmo se todas as 2,9 milhões de vagas em aberto fossem preenchidas imediatamente, isso ainda não compensaria os 7,7 milhões de empregos eliminados durante a recessão. Cortes de impostos ou investimentos governamentais vão impulsionar a demanda, levando as empresas a criar novas vagas, argumenta esse pessoal.
Os dois lados concordam numa coisa: quanto mais o desemprego permanece alto, mais difícil será reduzi-lo, porque as habilidades dos trabalhadores se deterioram. Essa preocupação é especialmente importante porque 6,2 milhões de trabalhadores estão sem emprego há seis meses ou mais, informou o Departamento do Trabalho dos EUA na sexta-feira.
———————

 

Fonte: The Wall Street Journal (por Jon Hilsenrath) / Zwela Angola Blog

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s