Economistas: Eternos Mãos-de-Vaca

[Imagem: ClipArtOf]

Quando as pessoas deparam-se com economistas (ou no nosso caso ikunumistas) – quer pupilos, docentes, et al – disparam sempre os adjectivos que parecem andar de mãos dadas com o campo científico em causa. Dentre os mais famosos encontram-se os: ambiciosos, mãos-de-vaca, gananciosos, pão-duros; entre tantos que significam exactamente o mesmo. Infelizmente é essa realidade com a qual os economistas têm de conviver.

E eu não fugi a regra (notem, porém que sou um ikunumista). Toda vez que dissesse (e digo) á alguém em que curso me encontrara a piada (segundo a idéia do “CURSO X“) aparecia quase-que prontamente (nem que tardasse, eu já esperava por ela) “vocês! Grandes agarrados!”.

Coçei a cabecinha e questionei-me: somos realmente mãos-de-vaca?

Meu primeiro dia de aulas de faculdade não facilitou a minha tentativa de provar o contrário. Meu professor de Introdução á Economia deixou bem clara a regra número 1 dos Economistas: “Nunca emprestar dinheiro!”, o que não ficou por aí, “emprestar somente se tivermos a certeza que vamos obter juros futuros – como que um investimento”. O exemplo não limitava-se somente á valores, indo até boleias, permissão de chamadas telefónicas e assuntos similares. Foi só mais tarde que nos foi avisado que nossas aulas seriam minitradas por um docente diferente (o que não retira o impacto/poder das palavras do mentor inicial – sendo que ainda hoje sinto que diversos alunos seguem á risca alguns ítens – e um espaço exclusivo no blog Ikunumistas).

O ‘pão-durismo’ de que os economistas são acusados é de facto históríco.

Retrocendo no tempo, J. Maynard Keynes havia oferecido um jantar no qual os convidados tinham de escarafunchar os ossos das aves de caça servidas – haviam somente 3 aves para um jantar de 11 pessoas. Já o filósofo Bertrand Russel contara que, nos seus tempos de faculdade, ele e seus amigos tinha cada de levar um ovo para o pequeno-almoço nos aposentos do futuro filóso G.E. Moore – ironicamente ‘famoso pela escassez de alimentos’.

knock-out veio atravêz da reportagem feita pelo “Wall Street Journal” que explica que pessoas formada no ramo económico costumam dar menos dinheiro para caridade do que os demais graduados noutras profissões. (Mais desta matéria poderão encontrar no *Blog do Vinícios*)

Com três exemplos do gênero, torna-se realmente custoso e improvável defender a pátria económica: quando o magnífico sensei incentiva egoísmo, quando o Ícone clássico evidência o pão-durismo,  e quando os quadros demonstram-se cepticos á custos de fins não lucrativos; que esperança existe para um Economista Altruísta?

Novamente coçei a cabecinha e questionei-me: Mas será o Pão-Durismo, de todo, Pão-Durismo?

Cabe, antes saber o que é “economês” e quem é que realmente fala a lingua.

A Economia não é uma ciência de dinheiro, não preocupa-se [somente] com a produção-distribuição-consumo, não limita-se aos aspectos micro ou macros; mas acima de tudo é uma ciência de escolhas. É uma ciência dedicada a alocação de recursos escassos para satisfazer necessidades virtualmente ilimitadas. Vendas são investimentos, compras são respostas e lucros são resultados. Mas para aplicar tais recursos o ponto de partida é analisar os custos/benefícios resultantes de dada aplicação.

E é aqui onde vem o Economista. Este infeliz indivíduo não passa senão de um profissional dedicado aos assuntos que o competem vindo – para além da aplicação de teorias e conceitos nos mais diversos ramos da ciência económica ou prever o comportamente da economia com base nas políticas implementadas – a ter de decidir o que produzir, como produzir e para quem produzir. Na realidade, estes são 3 aspectos não me vou cingir. De saber no entanto, que é nas mãos de uma visão de economista que as decisões serão tomadas de forma a tornar possível a aplicação feliz dos recursos em stock nos solos nacionais. E para permitir que haja, na realidade, uma aplicação eficiente (dada a quantia de recursos disponíveis versus a infinitude de necessidades) não nos devemos limitar somente ao bom senso, mas sim adotar uma posição inclinada para para o raciocínio lógico e rácional.

Racionais. Eis onde queria chegar. Os economistas não agem por instinto. Muito menos efectuam gastos disnecessários procurando ao máximo inverter o quadro Custos/Lucros. Os ex mãos-de-vaca provam desmerecer o apelído por conhecerem o mercado, suas leis, truques e deslocação de poder. E é aí onde jogam.

O Economista debate preços por realmente conhecer o poder que lhe é conferido mesmo como consumidor. O Economista conhece a lei da oferta/procura, a lei da escassez, elasticidade e sabe que antes de retirar seus preciosos ‘recursos’ do bolso, vale a pena conferir de facto se o livro desejado me vai trazer benefícios ou não.

O Economista, já não mais um mão-de-vaca, conhece a história que o antecede; desde a corrida mercantilista mundo-a-fora, valorização do sector primário de Quesnay, e mais relacionadamente, as intenções totalmente egoístas de um vendedor num mundo liberal de Adam Smith, o valor de tanto seus recursos como do livro pretendido atravêz do progresso de Ricardo. O Economista conhece o clássico entendendo o moderno e tais conhecimentos não o permitem aceitar fraudes.

Mais uma vez, levo a mão á cabeça e coço a cabecinha mas agora: em ar conclusivo.

No fundo, somos é racionais quanto aos gastos que fazemos por valorizar o valor do que gastamos – indirectamente valorizando também o que vamos obter. Além do racionalismo permitir uma maior eficiência de gastos (e menor subsquente dor de cabeça aquando de uma mã compra), ao meu ver, é esta atitude que força a melhoria constante de produtos. Quando menos o comprador economista cede, mais o vendedor esperto se vê forçado a inovar o seu produto de formas a convencer a clientela desejada.

Ao invês de gastar pouco e ser o “mão-de-vaca”, pensemos ao contrário que se está a gastar racionalmente e se ser economista.

Até porque de mãos-de-vaca já bastam os Ikunumistas.

3 pensamentos sobre “Economistas: Eternos Mãos-de-Vaca

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